Classificação em 2º no Concurso de sonetos Brasil dos Reis Ateneu Angrense
A noite e a luz do sol, nascendo, dão-me à morte
e espargem sobre mim limites temporais.
Levam do meu olhar os sonhos e os cristais,
enquanto masco, em vão, do tempo o gosto forte.
As eras se mantêm nos átrios e portais
nos quais perece o ser, em ânsias, sem suporte.
E o pobre meu viver, entregue à própria sorte,
degusta em cada sol as horas terminais.
Engano-me ao pensar que o tempo cedo passa.
Nem passa, nem se esvai, decerto estão errados
os pensamentos meus, humanos, sem critérios.
As florações de luz e o mel da minha taça
logo derramarei, sem queixas ou agrados,
e o tempo susterá de pé os seus impérios.
Imagem: Pinterest