Às vezes um silêncio se agasalha
no cerne de um desejo insatisfeito,
mas antes queima em cada fresta e falha,
e em todo o seu percurso deixa o efeito.
Às vezes sinto o seu torpor que espalha
nuvem de frio e gelo sobre o peito.
E os sonhos espargidos feito palha
levam consigo o riso mais perfeito.
Cala-se a voz cantante ou mais chorosa,
doem espinhos, dói a rosa rosa,
cansado, o coração, enfim, se aquieta.
E em minha fome e sede de poesia,
ouço o silêncio atroz que me angustia,
e tal mudez acorda em mim o poeta.