Ninguém percebe a dor que me lacera o peito
e faz da minha vida um templo de saudade.
E, neste turbilhão de mágoa que me invade,
o rosto meu pranteia, às lágrimas afeito.
Tudo se acaba e morre enquanto o fim espreito,
mas este nunca chega e tarda-me a bondade.
E sem qualquer favor ou beijo que me agrade
eu vivo em tal agror que morro sempre e a eito.
Tamanha algia, então, esmaga e dilacera
o altar da minha paz, e a flor, e a primavera;
e em funda escuridão encontro fortaleza.
Os dias são sem cor, as noites sem estrelas,
o meu olhar sucumbe em ânsias de retê-las...
Ninguém percebe a dor que vive em mim acesa.
Imagem: Pinterest
Do amigo Jacó Filho:
ARDENDO EM SAUDADES
Tal qual as estrelas, quando o Sol nasce,
Percebi-te afastando, e tua luz, sumindo...
E na saudade, que só eu estou sentindo,
Não tem remédio que tome, e ela passe...
Enquanto olho pra lua banhando o mar,
Ouvindo em grotas o canto da saracura,
Chora distante esta alma a tua procura,
Orando a Deus, pra um dia te ver voltar...
Permeando entre lembranças e tristeza,
Relembro o dia que o verso foi parceiro,
E luzia amizade na chama do candeeiro...
Pergunta às brisas onde anda tal beleza,
Que o mar levou em navios estrangeiros,
Fazendo a saudade queimar em braseiro...