No dia em que termina a primavera
o céu parece feito de vidrilho.
As horas descortinam cor e brilho
numa explosão silente que exubera.
A imensidão se veste em tal quimera,
que orna de velhos sonhos seu ladrilho;
neste mosaico, o zéfiro andarilho
enquadra a nova sorte que se espera.
Tudo se molda a um círculo perfeito,
a primavera finda o seu efeito,
e se ultrapassam nimbos de sonoite.
No céu de renda vítrea que se estala,
demarcam-se os engastes de outra opala,
e a noite leva ciência a outra noite.
Imagem: arquivo pessoal