O dia chega ao fim e a tarde que se esgueira
matiza-se com tons de azul e de vermelho.
Com tal acentuação respinga em meu espelho
que eu me confundo até, com este ocaso, inteira.
O sol em meu olhar acende-se em clareira,
e em tal fulguração à tarde me assemelho.
Diante da cor de luz, acedo ao seu conselho
e rendo-me ao prazer da noite que se abeira.
Ponho-me a burilar os insondáveis versos,
de sonhos e de amor, de beijos mais diversos,
de lágrimas de sal ou gosto de ambrosia.
A noite cai, enfim, com sombras de saudade,
procuro a inspiração, a verve que me agrade
e encontro um poema ali, na luz do fim do dia.
Imagem: Arquivo pessoal
Do amigo Jacó Filho:
RITUAL VESPERTINO
Minha Avó, e seu rosário inseparáveis
Viam na torre da matriz ao Sol poente,
Os raios dourados de belezas notáveis,
Num rito que nos prendia diariamente…
Dos sinos, as sinfonias insofismáveis,
Como chamados que tocando a gente
Minha Avó e seu rosário inseparáveis,
Viam na torre da matriz ao Sol poente…
Do astro, beleza e magias insondáveis,
Sendo no entardecer luz transcendente...
Dos sinos, as sinfonias insofismáveis,
Como chamados que tocando a gente,
Entronizavam melodias rememoráveis,
Transmitindo para o coração da gente,
Do astro, beleza e magias insondáveis,
Sendo no entardecer, o transcendente,
Os raios dourados de belezas notáveis,
Num rito que nos prendia diariamente…