Outubro traz no bojo um duplo enlevo,
tem gosto de ambrosias e de flores.
Moldura dos instantes sedutores,
guarda os prazeres todos que eu escrevo.
Uma esperança doce e seus licores,
saudades com textura, com relevo...
O mês que traz a sorte em que me atrevo
lembra, também, os sonhos precursores...
Outubro traz um verso e o sol dos dias,
borda o prazer das tardes fugidias,
com áureas filigranas e lavandas.
O seu decurso tem destreza inata:
se em ardorosos ventos me arrebata,
outubro me arrebata em brisas brandas.
Imagem: arquivo pessoal