Vozes
Vozes de um verso seco e taciturno
Envolvem-me na noite insone e escura,
Reabrem a ferida e a desventura
Servem-me, com frieza, turno a turno.
Ode de sentimento assaz soturno,
Tangendo ao vento gélido a doçura...
Amargo e triste verso configura
Cenas de solidão... Pesar noturno...
Insiste o verso e chora a poesia.
Tristonha voz convence-me, macia,
Ungindo-me com óleo de alma irmã.
Respiro, então, e em sua bênção tento
Nidificar e, mesmo em sofrimento,
O oásis conceber com meu elã!
Geisa Alves
Enviado por Geisa Alves em 21/09/2021