Vitral
Restou na madrugada a brisa triste e fria
e o rigoroso inverno apascentou as dores.
Há muito emudeceu o riso e a cantoria,
o orvalho congelou e a vara não tem flores.
Dos sonhos de outro tempo, agora só temores,
e falta o céu de anil que emoldurava o dia.
Enquanto a noite funde enfados opressores,
em lágrimas se faz o encanto que sorria!
Deságua o verso, então, em prece e rogativa,
poema de mudez liberta a voz cativa
no inverno que traduz agrura visceral.
Pois mesmo que se faça o frio com rigor
e a noite escura e densa estique o desamor,
a aurora nasce em cor e brilho de um vitral!
Geisa Alves
Enviado por Geisa Alves em 08/05/2021